Medicina e Espiritualidade: Redescobrindo uma antiga aliança – Parte II
“A espiritualidade pode estar ligada a religião, mas não necessariamente; p. 902· A busca de sentido e de significado é uma das necessidades fundamentais do ser humano, que o distingue, até onde nós sabemos, das demais espécies; p.902· O ser humano é um ser em relação: consigo mesmo, com seus semelhantes, com a natureza, com a divindade. No fundo, a espiritualidade sempre tem a ver com o transcender a si mesmo e para transcender a si mesmo é preciso entrar em relação; p.903· A pessoa espiritual sabe que não está só no universo e que não pode encontrar-se a si mesmo, alcançando sua própria plenitude, sem estar em relação com outros seres humanos e com outras criaturas. Na verdade, a experiência de sentido mais profundo é o amor ( de uma pessoa, de uma comunidade, de um ideal, da divindade) e o amor é, certamente, uma relação; p.903·” [Resenha elaborada por Jennifer Braathen Salgueiro, PhD GPPG/HCPA - Grupo de Bioética]
FERRER, J. Medicina y Espiritualidad: redescubriendo uma antigua alianza. In: Bioética: um diálogo Plural. Madrid: Ed. Univ. Pontificia Camillas, 2002: p.891-917.
Em pesquisa recente, descobri um blog chamado: “Pistas do Caminho“. Ele insere-se no contexto acima, pois apresenta uma síntese sobre a evolução da agregação da Espiritualidade como um elemento de conhecimento que tem sido estudado nas ciências médicas. O blog inclui até uma série de slides das aulas de Medicina e Espiritualidade ministradas da USP – Universidade de São Paulo, uma das primeira universidades a disponibilizar a cadeira de Medicina e Espiritualidade na academia. Abaixo pincei do blog resumos desta evolução histórica:
“Faz alguns anos o curso de Medicina e Espiritualidade existe em diversas Faculdades de Medicina em nosso país e pelo mundo afora. A própria OMS – Organização Mundial da Saúde – leva em consideração o tema espiritualidade como um sistema autônomo de tratamento em parceria com a medicina oficial.
Em 1993, menos de 5 escolas médicas dos Estados Unidos tinham a disciplina de religião – espiritualidade em medicina. Em 1994, 17 das 126 escolas médicas americanas ofereciam cursos sobre Espiritualidade. Em 2000, este número subiu para 65 escolas, oferecendo cursos não eletivos, optativos. Em 2004, atingiu-se a importância de 84 escolas médicas.
Mesmo assim, apenas uma pequena percentagem dos médicos norte-americanos (menos de um terço) se sente à vontade para perguntar aos seus pacientes quais são as suas opções religiosas; nos outros dois terços, muitos, alegam falta de tempo, outros, incapacidade para lidar com o assunto, e outros ainda, pensam que a Espiritualidade não é relevante para a prática da Medicina. Existem entidades que se preocupam com esta relevante questão, como a John Templeton Foundation, oferecendo apoio financeiro às escolas médicas que iniciam o curso de Espiritualidade e Medicina.
Na Escola de Medicina da Universidade de Harvard, no projeto de criação da disciplina Espiritualidade e Cura na Medicina: proporcionando suporte individualizado aos pacientes durante as crises de adoecimento , lê-se o seguinte: esperamos treinar os estudantes de medicina de Harvard a serem melhores ouvintes, comunicadores e profissionais, mais hábeis em proporcionar suporte às capacidades de cura do paciente em sua espiritualidade.”
Cabe mencionar que a Ciência Cristã participou de um memorável Simpósio de construção coletiva do conhecimento: Espiritualidade e Cura na Medicina, a convite da Faculdade de Medicina de Harvard, em 1995, clique aqui para mais informações. O livro CIÊNCIA E SAÚDE COM A CHAVE DAS ESCRITURAS, de Mary Baker Eddy, pioneira na cura cristã, ou cura espiritual, integrou as obras de revisão de literatura recomendadas no Simpósio.
Referências:
SALGUEIRO, Jennifer Braathen. Medicina e Espiritualidade – Redescobrindo uma antiga aliança. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/bioetica/ferrer.htm> Acesso em: 14.abr.2011
Blog Pistas do Caminho. Disponível em: <http://pistasdocaminho.blogspot.com/2009/04/aulas-de-medicina-e-espiritualidade-na.html> Acesso em: 16.abr.2011




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